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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Distrito Federal teve 31 casos de dengue na primeira semana de 2016

A capital também tem um caso confirmado de febre chykungunya, que teria sido importado de Pernambuco. A notificação foi confirmada ontem.

postado em 13/01/2016 17:36 / atualizado em 13/01/2016 18:11  - Correio Braziliense

A Secretaria de Saúde deve divulgar o mais recente Boletim Epidemiológico da capital federal nesta quarta-feira (13/1). O Correio adianta os dados do documento. Somente na primeira semana do ano, houve 31 casos de dengue, percentual 47,46% menor em relação ao mesmo período do ano passado, quando 59 pessoas tiveram a doença. A maior incidência ocorreu em Brazlândia, onde foram identificados 13 casos.

No DF, está confirmado um caso de febre chykungunya, em 2016, apesar de no documento não aparecer nenhum. A divergência, segundo a Secretaria de Saúde, acontece por que o resultado do exame deste paciente ficou pronto ontem e entrará no próximo levantamento. O doente teria "importado" a doença de Pernambuco.

A capital federal possui dois casos de zika vírus neste ano, como o Correio adiantou em seu site na última sexta-feira (8/1). São duas grávidas de 29 e 36 anos, moradoras da Asa Norte e de Águas Claras, respectivamente.

Durante a manhã, o município de Santo Antônio do Descoberto, distante 40km de Brasília, pediu ajuda técnica e de equipamentos, para a Secretaria de Saúde do DF a fim de exterminar o Aedes aegypti. A cidade está com 9% de infestação do inseto.

Garage Sale Solidário

Galeria de Arte do TBV  - Foto Ilustrativa.

A Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade promove Garage Sale solidário, uma oportunidade para quem está decorando ou tem intenção de adquirir, finas peças de porcelanas, cerâmica, móveis clássicos, objetos de decoração e artesanatos diversos.

Com preços especiais e produtos de qualidade, o Garage Sale estará aberto todos os dias das 8 as 20 horas. A renda será revertida para a manutenção das Obras Socioeducacionais da Legião da Boa Vontade na capital federal.
A Galeria de Arte, está localizada no SGAS 915, Lotes 75/76, Asa Sul, no Templo da Boa Vontade. Para mais informações, ligue: (61) 3114-1070.

Serviço:
Garage Sale Solidário
Data: Até durar o estoque.
Classificação: Livre
Entrada: Franca
Informações: (61) 3114-1070

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

40% dos bebês com microcefalia têm lesão ocular, indica mutirão

Entre as complicações mais observadas pelos especialistas estão o estrabismo neurológico, a atrofia da retina e a alteração pigmentar (manchas na retina).

 postado em 12/01/2016 10:42

Um mutirão feito pela Fundação Altino Ventura iniciou nesta segunda-feira (11/1) o atendimento a 50 bebês portadores de microcefalia. O foco da ação é investigar o comprometimento na visão dos pacientes.

"No mês de dezembro, fizemos o primeiro atendimento a um grupo de 40 bebês e percebemos que pelo menos 40% deles apresentaram algum tipo de alteração na visão, especialmente na retina. Por isso decidimos aprofundar o atendimento com novos exames e testes mais específicos", explicou a médica oftalmologista Camila Ventura, da FAV.

O atendimento é feito de forma gratuita e a expectativa dos especialistas é de que a partir da elaboração de diagnósticos os pacientes possam ter um acompanhamento personalizado. Desde dezembro, foram atendidos 79 bebês com suspeita de microcefalia e os exames de 55 já foram concluídos. A má-formação de 40 desses bebês está relacionada ao zika vírus e, destes, cerca de 40% apresentaram problemas na visão. A FAV deve manter o auxílio permanente a cerca de 100 crianças.

"Ao que tudo indica, de fato a infecção pelo zika vírus parece afetar a visão de uma grande parcela das crianças com microcefalia. Mas sabemos também que há situações em que podemos minimizar os efeitos desses problemas", destacou a oftalmologista Liana Ventura.

Entre as complicações mais observadas pelos especialistas estão o estrabismo neurológico, a atrofia da retina e a alteração pigmentar (manchas na retina). Além dos exames de visão, os bebês estão passando pelo teste da orelhinha, para saber se a audição foi comprometida.

A dona de casa Fátima da Silva, de 32 anos, foi uma das mães que levaram o filho com microcefalia para atendimento na FAV. O pequeno Lucas, de 2 meses, foi examinado por três especialistas. "Eu dei graças a Deus quando consegui uma vaga para meu filho neste serviço porque sei que ele vai ser bem cuidado. Não é fácil conseguir entender direito quais os problemas de saúde que ele tem. Por isso quero que tenha o melhor atendimento possível", destacou.

Revista
A hipótese de que o zika vírus esteja relacionado também com a ocorrência de lesões oculares em recém-nascidos foi relatada pela primeira vez na literatura científica internacional na quinta-feira, em artigo publicado na revista britânica The Lancet, uma das mais importantes do mundo. O texto, assinado por pesquisadores da Fundação Altino Ventura, de Pernambuco, e da Universidade Federal de São Paulo, relata os casos de três bebês nascidos com microcefalia e alterações oftalmológicas severas.

GDF prepara ação contra mosquito da dengue na capital e no Entorno

A Secretaria de Saúde se reunirá com representantes de Santo Antônio do Descoberto para definir ações de combate à dengue, ao zika vírus e à febre chikungunya.

postado em 12/01/2016 15:04  - Correio Braziliense

O combate ao Aedes aegypti deverá ser intensificado nos próximos dias. Nesta quarta-feira (13/1), a Secretaria de Saúde vai se reunir com representantes da Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto para traçar um plano de ação entre as duas cidades. Autoridades sanitárias temem um surto de zika vírus, dengue e febre chikungunya na região. Amanhã, o GDF divulgará Boletim Epidemiológico com os mais recentes números dos casos dessas doenças na capital federal com os primeiros casos de 2016. 

O município goiano, distante 40km de Brasília, tem três notificações de zika vírus e 9% do território está infestado pelo mosquito. No DF, duas grávidas estão com a infecção. A taxa de infestação atual da cidade deve ser divulgada em meados de fevereiro, segundo a Secretaria de Saúde. Até o momento 20 mil casas receberam a vista da vigilância epidemiológica. Ao todo, 10,3 mil pacientes tiveram o diagnóstico de dengue confirmado em 2015.

Na edição de hoje, o Correio mostrou que, há duas décadas, o Aedes avançou pela capital federal. Em 1996, começaram a ser registrados os primeiros casos de dengue e febre amarela na cidade. Na época, a Secretaria de Saúde atribuiu a Santo Antônio do Descoberto o desencadeamento da epidemia. 

O mais recente surto de dengue confirmado pelo Executivo local ocorreu em 2013. Naquele ano, a doença atingiu mais de 12 mil pessoas. Os casos aumentaram 733% na época. As chuvas acentuam a problemática. E o medo das autoridades sanitárias é que ocorra uma explosão ainda maior de mosquitos este ano. “O nosso maior trabalho é o da educação sanitária e de conscientizar a população do risco coletivo. Queremos promover uma mudança de hábito nos moradores. Apenas uma fêmea é capaz de produzir 280 ovos”, explica o diretor de Vigilância Ambiental em Saúde, Divino Valero Martins.

Cento e quarenta homens do Exército, 30 do Corpo de Bombeiros, além de agentes da Vigilância Ambiental e servidores das administrações regionais, começaram ontem a vistoriar o Lago Norte, o Lago Sul, a Asa Norte, a Asa Sul, o Varjão e Águas Claras.

Com El Niño, DF terá chuvas mais regulares durante todo o verão

Segundo o Inmet, tendência é que as precipitações cheguem a ultrapassar a média do período durante a estação. "Super El Niño" deve perder força durante o outono.

postado em 12/01/2016 11:20 / atualizado em 12/01/2016 14:19 - Correio Braziliense

Céu nublado será predominante no verão da capital federal
Depois de um ano marcado por seca e baixas umidades, grande parte por conta do fenômeno climático El Niño, o verão brasiliense em 2016 deve ser marcado por chuvas mais regulares do que o habitual. A média de precipitações de janeiro a março é de 630mm, volume considerado normal segundo a previsão climatológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No entanto, com a ação do El Niño no planeta, esses níveis podem ser ultrapassados. Mesmo nessas condições, o órgão garante que a média de chuvas se manterá normal.

Os meteorologistas acreditam que o “Super El Niño” deve perder força durante o  outono, que começa na segunda quinzena de março, mas os efeitos continuarão a ser sentidos por mais alguns meses. Ele afeta o Brasil desde o início de 2015 e atingiu o ápice entre os meses de outubro e dezembro, classificado entre os três mais fortes das últimas três décadas. De acordo com o Inmet, os eventos semelhantes em termos de intensidade aconteceram entre 1982 e 1983 e entre 1997 e 1998.

Embora os especialistas digam que os efeitos do El Niño no planalto central não tenham sido muito evidentes, o período de seca no DF foi sensivelmente agravado. A mistura de altas temperaturas e baixas umidades castigou a população até o fim do ano, com chuvas fortes em curtos períodos de tempo. Nos últimos três meses de 2015 choveu apenas metade do que era esperado para o período no Distrito Federal, segundo o Inmet. Em outubro, os brasilienses amargaram a umidade em queda constante, quando foi registrada a temperatura recorde de 36,8°C. Novembro foi considerado o mês mais quente em 47 anos, quando foram analisados três picos de altas temperaturas só nos primeiros 13 dias do mês.

Extremo
O El Niño é um fenômeno climático ligado ao aquecimento do Oceano Pacífico que pode causar fortes chuvas ou seca. O Inmet explica que, basicamente, ele apresenta dois extremos no Brasil: chuvas abaixo da média em parte das regiões Norte e Nordeste e acima da média na Região Sul podendo se estender até os estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. O El Niño não tem um ciclo regular, podendo retornar em períodos que variam de 1 a 7 anos.

Altas temperaturas
As previsões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também reforçam que o El Niño continuará a influenciar o clima do país no primeiro trimestre, com maior probabilidade de temperaturas acima da média em quase todo o território brasileiro, principalmente no Nordeste. A nota técnica mais recente do órgão, mostra a “persistência da condição de aquecimento em praticamente todo o Oceano Pacífico Equatorial de janeiro a março deste ano”.

Roubo em residências cresce 17,5% em dois anos no Distrito Federal

Assaltos a coletivos também tiveram aumento de 136,4% em dezembro de 2015 em relação a 2014. Estupros cresceram 31,7% na cidade.

postado em 12/01/2016 11:50 / atualizado em 12/01/2016 14:51

Governador Rodrigo Rollemberg admitiu o aumento da criminalidade no DF: roubo à residência cresceu 17,5% nos últimos 24 meses
Cresceu o número de roubos a residências e assalto a ônibus no Distrito Federal. O primeiro crime aumentou 17,5% em dois anos, entre 2014 e 2015. Em todo o ano passado, criminosos assaltaram 2,3 mil coletivos, 6,3% a mais do que no ano retrasado. De acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança e da Paz Social, Ceilândia e Planaltina são as regiões com maior índice de assaltos a casas. Em toda capital 684 brasilienses tiveram os domicílios invadidos.  
 
O ano começou violento e com vários episódios de roubos a residências. Em 6 de janeiro, assaltantes roubaram uma casa na Península dos Ministros, no Lago Sul, endereço vizinho à residências oficiais dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, de várias autoridades do executivo federal, além de sedes de embaixadas como Irlanda, Paquistão e Estônia, e mantiveram três pessoas reféns. No mesmo dia, no Lago Norte, uma criança de 12 anos foi esfaqueada após reagir para defender a mãe em outra ocorrência.

Na madrugada do último sábado (9/1), pelo menos seis pessoas ficaram cerca de seis horas sob poder de cinco assaltantes durante roubo em uma chácara no Núcleo Rural Lago Oeste, em Sobradinho. Na ocasião, o grupo levou cinco televisões, uma câmera GoPro, notebook, R$ 30 mil em dinheiro e o carro do motorista particular do aplicativo Uber.
 
O crime aconteceu quase uma semana depois de a socióloga Márcia de Alencar assumir a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social. Ela apresentou os mais recentes índices de violência na capital. Apenas em dezembro, o roubo a coletivos cresceu 136,4% em relação ao mesmo período de 2014. Naquele ano, 107 ônibus foram alvo de criminosos. No último mês de 2015, o número chegou a 253. 
 
Em dezembro, os casos de estupro deixaram a cúpula da segurança da capital em alerta. Somente no mês passado, os abusos cresceram 31,7%. Ao todo, 54 pessoas ser tornaram vítimas. Contudo, nos últimos 24 meses, o número baixou de 777 ocorrências em 2014, para 624 no ano passado, um recuo de 19,7%.
 
Entre os casos investigados pela Polícia Civil, está o episódio da jovem de 24 anos que, no primeiro dia de 2016, fez um relato nas redes sociais contando o possível abuso sofrido pelo segurança de uma festa no Setor de Clubes Sul.
 
“Saldo positivo”

Apesar dos números alarmantes de crimes contra o patrimônio, o governo considera o panorama “positivo”. O Executivo local ressalta que em 2015 a cidade teve o menor índice de homicídios em 22 anos, com 21,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes, um recuo de 11,4%. “Vamos continuar com a tendência de redução dos indicadores de violência. Nosso esforço será maior em 2016”, avaliou o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB).

Segundo a secretária Márcia de Alencar, houve acréscimo de 29% de apreensões de jovens em atos infracionais. “Temos um grande desafio em 2016 em relação aos crimes contra o patrimônio”, disse a titular da pasta, ao ressaltar que esse tipo de crise reduziu 15,4% se comparado a 2014. “Queremos manter os índices positivos conquistados no ano passado, além de desenvolver estratégias para atuar nas áreas mais críticas”, finalizou.

As taxas, na maioria positivas, contrapõem 2014, ano em que os brasilienses sofreram com a Operação Tartaruga da Polícia Militar, que fez com que os crimes disparassem. “Confio na nova equipe de segurança para reduzir esses números em 2016”, finalizou o socialista, sem detalhar o plano de gestão da segurança aos jornalistas.

Trânsito

Os índices de morte no trânsito também tiveram queda expressiva em 2015. Foi o menor número registrado desde 1995, com 11,5 mortos para cada 100 mil habitantes. No ano passado, 335 pessoas morreram, contra as 406 de 2014. No comparativo com o mês de dezembro, o número voltou a crescer: 29 vítimas em 2015 e 28 em 2014. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ácido fólico evita autismo, obesidade e cardiopatias, indicam estudos

Especialistas alertam para a importância de ingerir o composto na quantidade recomendada.

postado em 11/01/2016 13:26 -  Correio Braziliense - 

Belo Horizonte — No Brasil, 52% das mulheres engravidam sem planejar. O dado é da pesquisa Nascer no Brasil — Inquérito nacional sobre parto e nascimento, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2014. Ou seja, mais da metade dos bebês do país não se beneficia do efeito protetor da suplementação periconcepcional (que antecede a gravidez) do ácido fólico, também chamado de vitamina B9. Isso porque a recomendação é de que a dose diária de 400 microgramas (ou 0,4 miligrama) deva ser iniciada 30 dias antes da gestação e perdurar durante o primeiro trimestre de gravidez. O benefício do uso dessa vitamina do complexo B na prevenção contra defeitos do tubo neural (DFTN) — como a anencefalia, a espinha bífida e a encefalocele — já está bem documentado e consolidado em estudos que se iniciaram há mais de 50 anos. Novas pesquisas, no entanto, ampliam o efeito protetor da vitamina B9 para a saúde da criança.

Professor titular de obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antonio Carlos Vieira Cabral cita que a suplementação do ácido fólico previne contra anomalias como lábio leporino e fenda palatina. “Além dos efeitos faciais, protege o feto das cardiopatias congênitas e das consequências negativas de fármacos que a mãe necessita usar durante a gestação — no caso de depressão e de epilepsia, por exemplo. Nessas situações, o ácido fólico antagoniza as ações desses medicamentos”, afirma.

Novas abordagens sugerem ainda uma proteção contra o autismo e a obesidade. “Temos pesquisado a importância da suplementação com ácido fólico contra esses problemas. Esse é um campo ainda sem limites, e é provável que, nos próximos anos, sejam descobertos outros benefícios nessa relação”, afirma o especialista. Cabral diz que o ácido fólico começou a ser usado de maneira empírica contra problemas na formação do tubo neural. “As gestantes tomavam e os pesquisadores observavam o resultado para, depois, ir atrás da explicação. Já, nos últimos 20 anos, as pesquisas têm o objetivo de entender o benefício da suplementação para evitar outras anomalias.”

O obstetra conta que, recentemente, estudos mostraram a interferência do ácido fólico na formação do DNA. “Além de ajudar o código genético, essa vitamina promove a expressão gênica, ou seja, facilita que os genes se expressem de forma adequada. Hoje, sabemos que o ácido fólico tem relação direta com a genética”, explica. Nessa nova abordagem, segundo Cabral, já se sabe que o folato tem ação sobre a maturação do neurodesenvolvimento dos fetos.

Erro de dosagem
Presidente da Comissão de Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Eduardo Borges da Fonseca afirma que o ácido fólico previne os defeitos do tubo neural entre 70% e 80%. Segundo ele, o protocolo de 400 microgramas durante 30 dias antes da gestação e no primeiro trimestre da gravidez é defendido pelas principais organizações de saúde do mundo.

No Brasil, segundo ele, o maior problema — além da falta de planejamento familiar, que impede a suplementação periconcepcional — é a dose fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que não segue a prescrição internacional. “A Relação Nacional dos Medicamentos (Rename) determina que o medicamento esteja disponível em gotas na rede pública de saúde em uma dosagem de 0,2mg/ml — quantidade que seria adequada para o uso das gestantes. No entanto, as unidades básicas daqui disponibilizam o suplemento na dose de 5mg. O ácido fólico não está disponível na rede pública para prevenção contra defeitos no tubo neural, mas para tratar anemia”, salienta.

Eduardo Fonseca alerta ainda que a superdosagem de ácido fólico também tem repercussões negativas na saúde do feto. “Já existem estudos que associam altas doses dessa vitamina com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor da criança”, diz. O professor da UFMG Antonio Carlos Vieira Cabral salienta que a dose de 5mg oferecida pelo SUS não pode ser diária. “O ideal é que se use a dose certa para evitar a superdosagem. Caso contrário, a suplementação pode ter um efeito paradoxal na criança, prejudicando o neurodesenvolvimento ou até propiciando uma malformação. Nunca se deve usar vitamina em excesso. Precisamos acabar com essa ideia equivocada de que ‘quanto mais vitamina, melhor’. A dose excessiva é tão prejudicial quanto a falta dela”, observa.

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Além de reforçar que o período mínimo para a suplementação periconcepcional é de 30 dias, o especialista explica que o período máximo pode ser de anos, desde que na dosagem correta. “Se a mulher não engravidar em 30 dias, ela continua com a dose diária de 400 microgramas.” Cabral acrescenta que o uso do ácido fólico pode ser estendido durante toda a gestação. “No segundo e terceiro trimestres, a suplementação visa à ação em outras estruturas. Do ponto de vista da maturação, a formação do cérebro não acaba em três meses, mas perdura até o fim da gravidez. Durante as 40 semanas, em qualquer momento, existe o risco de comprometer essas estruturas. Assim, o ácido fólico terá cumprido toda a sua finalidade: tanto na prevenção contra anomalias, quanto no auxílio da maturação do neurodesenvolvimento”, avalia.

Para saber mais

Fortificação não basta

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de 2002 tornou obrigatória a fortificação de farinhas de trigo e milho com ácido fólico e ferro em razão dos altos índices de anemia no país, além de outras doenças causadas pela deficiência dessas substâncias. Desde então, cada 100 gramas de farinha de trigo ou de milho devem conter 4,2 miligramas de ferro e 150 microgramas de ácido fólico.

O presidente da Comissão de Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Eduardo Borges da Fonseca, afirma que essa fortificação minimiza o não planejamento da gravidez em relação ao efeito protetor periconcepcional da suplementação de ácido fólico. “Mas é preciso deixar claro que essa fortificação não substitui a necessidade de suplementação”, alerta.

O professor de obstetrícia da Universidade Federal de Mingas Gerais Antonio Carlos Cabral reforça que a prescrição recomendada pelas principais entidades de saúde ao redor do mundo leva em conta a fortificação das farinhas. “Com ela, as mulheres absorvem aproximadamente 70% do necessário da vitamina”, diz. Para ele, o grande problema de se confiar na fortificação é que não é possível saber se o que consta no rótulo está realmente sendo oferecido. “O ácido fólico não é barato e não são todas as empresas de alimentos que têm um controle rígido de qualidade”, acrescenta.

Falhas neurais
A incidência dos defeitos do tubo neural é de uma pessoa a cada mil nascimentos, sendo distribuída da seguinte forma:

40% de anencefalia
Ausência completa ou parcial do cérebro e do crânio. A anomalia é incompatível com a vida e enquadra-se em um dos casos em que o aborto é garantido por lei no Brasil.

40% de espinha bífida
Defeito de fechamento ósseo posterior da coluna vertebral. A anormalidade congênita pode ser oculta e assintomática (espinha bífida oculta); apresentar as meninges expostas (meningocele) ; ou, além das meninges, a medula e as raízes nervosas expostas (mielomeningocele)

20% de encefaloce
Similar ao defeito de fechamento da coluna vertebral, só que ocorre na calota craniana. Ou seja, o cérebro e as meninges ficam expostos através dessa abertura. É como se uma pessoa tivesse sofrido um acidente de trânsito com perda de massa encefálica.

Arte/CB/DA Press


Reforço alimentar
Veja o que incluir na alimentação e como preparar alimentos ricos em ácido fólico.

Brócolis
Para preservar o ácido fólico, o ideal é cozinhar o vegetal rapidamente no vapor.

Couve
Consumir crua ou cozida no vapor em saladas, sopas e caldos.

Espinafre
Pode ser consumido cru ou cozido no vapor. Incrementa saladas, tortas, quiches, sopas e caldos.

Fígado
Para aproveitar boa parte do nutriente contido nesse alimento, ele deve ser consumido ao ponto.

Feijão
É importante consumir não só o grão, mas também o caldo, que, durante o cozimento, concentra grande parte do ácido fólico.